ENTREVISTA 1
Cidade: Floresta Azul
Idade: 67 anos
Escolaridade: não-alfabetizada
ENTREVISTADORA: Bom dia amiga, posso conversar um pouquinho com a senhora?
Pera um pouco que nois papeia (...) pronto minha fia...agora nois pode
ENT: Qual o nome da senhora?
Maria de Fátima Santos da Silva.
ENT: Dona Maria, eu estava pensando nas histórias que o povo conta, sobre as coisas, os bichos, os casos que o Rio São Francisco tem....
Ah (...0 minha fia (...) esse rio tem é história
ENT: A senhora fazia o que nesse rio?
Meu velho vinha pescá e eu vinha também (...) trazia as roupa pra gomar e os caco véi pra lumiar (...) hoje não é igual ao tempo de pai, o povo ta a-ca-ban-no com tudo
ENT: Como assim, a senhora fala “no temo de pai”?
FARTANÇA de tanta água (...) hoje tem mais lixo do que água (...) os homem parece que carece de tudo... quanto mais tem mais quer (...) Damião ia pescá mais os parceiro lá da roça e trazia tanto peixe (gestos com as mãos) Ó minha fia...precisa de ver
ENT: Vocês sempre viveram da pesca?
Damião trabaiô na roça e pescava até o homem da roça colocá nois pra fora pro mode que ele rendou a roça pro moço da cidade e nois ter de sair...mas também a gente ia mesmo carecer de SAIR qualquer hora (...) Dami num tava mais pescando tanto peixe...era ca-da pexão fia...precisava vê (...)tinha um tão grande ...FORTE...ninguém conseguia guiá o bicho.
ENT: Como assim guiar, me explique melhor...
Os amigo de Dami deixava o bicho fugir...não ficava no anzol...num sabia guiar o bicho até a canoa...era MUI::TO bravo fia (...)precisa vê (nesse momento faz pergunta a outra pessoa) – Dona Maria como era o nome daquele peixe do tempo de Dami e Seu Zé?
[
não alembro Fátima...aquilo era coisa do demônio
ENT: Ela é crente?
É:::fia...é serva(...) mas o peixe era brabo mermo
ENT: E por que a qualquer hora vocês iam carecer sair de lá?
Insunta...o patrão de Dami falou que o peixe dava MUITO dinheiro...que se pescasse o bicho era pra devolver pro rio que esse peixe ia pra outra cidade e o fio dele levava...mas o minino num sabia pescá(...) Dami num pescava de noite... porque minha fia tu sabe que o rio dorme e os povo num respeita isso
ENT: Nunca ouvi falar!
Esse povo num acredita em nada...hoje ninguém veve como nois viveu(...)tem que trabalhá nos prédio grande...se os povo que não tem trabaio acreditasse nas coisa da água ia ter fartança na mesa...porque peixe não ia faltar(...)Se você banhasse nesse rio no meu tempo ia vê a for-ça dele...corrente braba fia...e a noite ele ficava parado pra perigar no outro dia...Dami e seu Zé num temia não e pescava muito...ia nas corrente braba tudo...num desistia(...)benzia antes de entrar pra abençoar...né fia e i:::a...num tinha dia pra fartá peixe pra nois comer e Dami vender.
ENT: Então, o que aconteceu?
O rio era uma beleza que só...Ô:: coisa lin-da...Dami e Seu Zé um dia num tava satisfeito e combinô de pescá a noite...eu disse a ele pra num teimá e ficá em casa(...)mas ele queria pegá peixe o patrão dele não deixava porque a noite ninguém ia ver...tudo treva...mas é falta de respeito entrar na água quando ela tá descansando
ENT: É? Interessante! Não sabia que o rio descansava!
(Risos) fia...a natureza tá vi-va...nois num descansa? Intonce...INSUNTA(...)eles partiram e foram pegá o peixão... daí o cabôco da água castigô...a canoa quase vira e troxeram esse maldito nas escura e venderam(...)eles compraram uma égua BUNITA com o peixe que eu nem me alembro quanto foi...só alembro até hoje que depois daquela noite o rio num deu mais peixe e o moço que o patrão passou a roça...bateu logo umas pedra nele e botou uns cano pra moiá as planta...mas peixe que é bom...NA::DA nunca mais
ENT: E o patrão do seu marido fez o que com vocês?
Ele botô o registro de Dami e Seu Zé no SS... eles recebe todo dia 04 no banco(...) é melhor né fia ...tenho medo de castigo de novo é melhor não brincá com a zanga do cabôco...ele num quis mais fumo(...)fia...agora eu creço entrá pro mode vocês num vem aqui amanhã prosiar com Dami? Ele tem uns caso de arrepiá
ENT: Dona Maria, a gente vem sim, mas não amanhã porque não podemos
Leva uns tempero procês...pega ali Nino
Cidade: Floresta Azul
Idade: 67 anos
Escolaridade: não-alfabetizada
ENTREVISTADORA: Bom dia amiga, posso conversar um pouquinho com a senhora?
Pera um pouco que nois papeia (...) pronto minha fia...agora nois pode
ENT: Qual o nome da senhora?
Maria de Fátima Santos da Silva.
ENT: Dona Maria, eu estava pensando nas histórias que o povo conta, sobre as coisas, os bichos, os casos que o Rio São Francisco tem....
Ah (...0 minha fia (...) esse rio tem é história
ENT: A senhora fazia o que nesse rio?
Meu velho vinha pescá e eu vinha também (...) trazia as roupa pra gomar e os caco véi pra lumiar (...) hoje não é igual ao tempo de pai, o povo ta a-ca-ban-no com tudo
ENT: Como assim, a senhora fala “no temo de pai”?
FARTANÇA de tanta água (...) hoje tem mais lixo do que água (...) os homem parece que carece de tudo... quanto mais tem mais quer (...) Damião ia pescá mais os parceiro lá da roça e trazia tanto peixe (gestos com as mãos) Ó minha fia...precisa de ver
ENT: Vocês sempre viveram da pesca?
Damião trabaiô na roça e pescava até o homem da roça colocá nois pra fora pro mode que ele rendou a roça pro moço da cidade e nois ter de sair...mas também a gente ia mesmo carecer de SAIR qualquer hora (...) Dami num tava mais pescando tanto peixe...era ca-da pexão fia...precisava vê (...)tinha um tão grande ...FORTE...ninguém conseguia guiá o bicho.
ENT: Como assim guiar, me explique melhor...
Os amigo de Dami deixava o bicho fugir...não ficava no anzol...num sabia guiar o bicho até a canoa...era MUI::TO bravo fia (...)precisa vê (nesse momento faz pergunta a outra pessoa) – Dona Maria como era o nome daquele peixe do tempo de Dami e Seu Zé?
[
não alembro Fátima...aquilo era coisa do demônio
ENT: Ela é crente?
É:::fia...é serva(...) mas o peixe era brabo mermo
ENT: E por que a qualquer hora vocês iam carecer sair de lá?
Insunta...o patrão de Dami falou que o peixe dava MUITO dinheiro...que se pescasse o bicho era pra devolver pro rio que esse peixe ia pra outra cidade e o fio dele levava...mas o minino num sabia pescá(...) Dami num pescava de noite... porque minha fia tu sabe que o rio dorme e os povo num respeita isso
ENT: Nunca ouvi falar!
Esse povo num acredita em nada...hoje ninguém veve como nois viveu(...)tem que trabalhá nos prédio grande...se os povo que não tem trabaio acreditasse nas coisa da água ia ter fartança na mesa...porque peixe não ia faltar(...)Se você banhasse nesse rio no meu tempo ia vê a for-ça dele...corrente braba fia...e a noite ele ficava parado pra perigar no outro dia...Dami e seu Zé num temia não e pescava muito...ia nas corrente braba tudo...num desistia(...)benzia antes de entrar pra abençoar...né fia e i:::a...num tinha dia pra fartá peixe pra nois comer e Dami vender.
ENT: Então, o que aconteceu?
O rio era uma beleza que só...Ô:: coisa lin-da...Dami e Seu Zé um dia num tava satisfeito e combinô de pescá a noite...eu disse a ele pra num teimá e ficá em casa(...)mas ele queria pegá peixe o patrão dele não deixava porque a noite ninguém ia ver...tudo treva...mas é falta de respeito entrar na água quando ela tá descansando
ENT: É? Interessante! Não sabia que o rio descansava!
(Risos) fia...a natureza tá vi-va...nois num descansa? Intonce...INSUNTA(...)eles partiram e foram pegá o peixão... daí o cabôco da água castigô...a canoa quase vira e troxeram esse maldito nas escura e venderam(...)eles compraram uma égua BUNITA com o peixe que eu nem me alembro quanto foi...só alembro até hoje que depois daquela noite o rio num deu mais peixe e o moço que o patrão passou a roça...bateu logo umas pedra nele e botou uns cano pra moiá as planta...mas peixe que é bom...NA::DA nunca mais
ENT: E o patrão do seu marido fez o que com vocês?
Ele botô o registro de Dami e Seu Zé no SS... eles recebe todo dia 04 no banco(...) é melhor né fia ...tenho medo de castigo de novo é melhor não brincá com a zanga do cabôco...ele num quis mais fumo(...)fia...agora eu creço entrá pro mode vocês num vem aqui amanhã prosiar com Dami? Ele tem uns caso de arrepiá
ENT: Dona Maria, a gente vem sim, mas não amanhã porque não podemos
Leva uns tempero procês...pega ali Nino
ENTREVISTA 2
Cidade: Ilhéus
Idade: 66 anos
Escolaridade: fundamental I ( antigo primário)
( )Mamãe nem sabia ...que eu fui com ele. Hum pra vê a caceia sabe o que é caceia? Pra vê peixe que ta na re::de (gestos fechando os braços) Quando chega lá a gente foi Lucinha. Quando chega lá o mar eu vi o mar bonito aquelas onda e:: e vi os peixe ói nadan::do ó (gestos com as mãos simulando o movimento dos peixes) só isso que eu vi. E quando eu fui tomar banho na praia eu vi um (..) um TUBARÃO:: sabe o que é um tubarão?(...) é se chama:: cumé Lucinha? O nome (...) tubarão mermo. Que ponta que aponta aquela vela pra cima a vela (gestos com a mão simulando a barbatana do tubarão) é tubarão.
A senhora viu alguma coisa estranha no mar?
Eu não só vi PEI::XE no mar peixe e a jangada querendo virar com o homem querendo virar e a maré cheia que queria virar e eu assim no pau da jangada assim (gestos com as mãos) no cumé no meio da jangada em cima da jangada (gestos com as mãos) pra não caí (...) aí pronto (bate palma) aí vi os peixe NADAN::DO (movimento com o corpo, simulando o peixe nadando) e eu olhando só assim.
Alguma coisa tipo sereia?
Não(...) isso aí não vi não(...) não vi não. Mamãe que contava que na Lagoa Encantada tinha sereia que vinha cantar e via as (...) a uma (...) as baronesa juntando uma com a outra (gestos com as mãos) Mamãe contava isso. Só o que eu sei.
Alguma coisa tipo mãe d’água?
Então a mãe d’água é uma sereia.
E nego d’água a senhora já ouviu falar?
Mamãe também falava falava também o avô d’água também.
Como era o avô d’água?
Num sei ela disse que viu o avô d’água mas não sei cumé mas ela disse que viu na Lagoa Encantada né Lucia? O avô d’água é do mar.
A senhora nunca viu o avô d’água?
Não
Nem Mãe d’água?
Não (...) Mãe disse que via ( ) Só vi os pei::xe.
Cidade: Ilhéus
Idade: 66 anos
Escolaridade: fundamental I ( antigo primário)
( )Mamãe nem sabia ...que eu fui com ele. Hum pra vê a caceia sabe o que é caceia? Pra vê peixe que ta na re::de (gestos fechando os braços) Quando chega lá a gente foi Lucinha. Quando chega lá o mar eu vi o mar bonito aquelas onda e:: e vi os peixe ói nadan::do ó (gestos com as mãos simulando o movimento dos peixes) só isso que eu vi. E quando eu fui tomar banho na praia eu vi um (..) um TUBARÃO:: sabe o que é um tubarão?(...) é se chama:: cumé Lucinha? O nome (...) tubarão mermo. Que ponta que aponta aquela vela pra cima a vela (gestos com a mão simulando a barbatana do tubarão) é tubarão.
A senhora viu alguma coisa estranha no mar?
Eu não só vi PEI::XE no mar peixe e a jangada querendo virar com o homem querendo virar e a maré cheia que queria virar e eu assim no pau da jangada assim (gestos com as mãos) no cumé no meio da jangada em cima da jangada (gestos com as mãos) pra não caí (...) aí pronto (bate palma) aí vi os peixe NADAN::DO (movimento com o corpo, simulando o peixe nadando) e eu olhando só assim.
Alguma coisa tipo sereia?
Não(...) isso aí não vi não(...) não vi não. Mamãe que contava que na Lagoa Encantada tinha sereia que vinha cantar e via as (...) a uma (...) as baronesa juntando uma com a outra (gestos com as mãos) Mamãe contava isso. Só o que eu sei.
Alguma coisa tipo mãe d’água?
Então a mãe d’água é uma sereia.
E nego d’água a senhora já ouviu falar?
Mamãe também falava falava também o avô d’água também.
Como era o avô d’água?
Num sei ela disse que viu o avô d’água mas não sei cumé mas ela disse que viu na Lagoa Encantada né Lucia? O avô d’água é do mar.
A senhora nunca viu o avô d’água?
Não
Nem Mãe d’água?
Não (...) Mãe disse que via ( ) Só vi os pei::xe.
ENTREVISTA 3
Idade: 82 anos
Cidade: Ilhéus
Escolaridade: alfabetizado
LOCUTOR 1 [ ] pra comercializar ou só para sustento?
Emílio: De rede pescava muito só pra sustento.
L¹: pra sustento
Emílio: é pra...pra
L¹: ( )
Emílio: é..é...dar comer e:: (gestos com as mãos) pronto
L¹: e pronto
Emílio: é
L¹: Aí também ( ) tratar um salgado?
Emílio: é ...é...ela fazia...ela fazia (gestos com as mãos) gamela de peixe tratado aí...
sai/secava ( )
L¹: secava é...
((ruído))
L¹: era fartura aquele tempo então
Emilio: é..é fartura
L¹: Hoje tem ( )
Emílio: Num dá não..dá só quando...no inverno
L²: no inverno pescamos demais né?
Emilio: da/é...é..bobagem
L¹: é bobagem é...
Emilio: é..
L¹: é bobagem...também a exploração...
Emílio: tinha vezes da gente pescar assim numa noite matar seis...oito curimã
L¹: olha rapaz..é?
Emílio: por fora a talinhada (algum peixe) curimã
L¹: que a curimã já é... (gestos com as mãos)
Emílio: é grande é... (gestos com a mãos)
L¹: é curimã já é grande
Emílio: é..matei curimã aí na rede de quatro quilos
L¹: quatro quilos?
Emilio: é:: (aceno com a cabeça)
L¹: eita..é a festa né?
Emilio: olha a cabeçona..
L¹: ê::
Emilio: iji! A gente tinha uma alegria quando ( ) bate na rede
L¹: faz uma zuada danada (gestos com as mãos)
Emilio: ( ) é...
L¹: sacode toda né?
Emilio: é...
L¹: a tal da curimã é perigosa né?
Emilio: é...em vez que bate três quatro dentro
L¹: ê::
Emilio: da vez que a gente cercou (leva a mão ao pescoço) sempre que dá na rede a gente supapo (gestos com as mãos) da barca
L¹: é isso mesmo
Emilio: e a gente i:: lá vai lá vai
L¹: é::
Emilio: é uma alegria rapaz (sorrindo)
L¹ : mas tomava uma na época? pra esquentar ( )
Emilio: não... cachaça não
L¹: não né
Emilio: não... nunca tomei não
((ruído))
L¹: ( )
Emilio: alia/aliás ... quando eu peguei a pescar com um vei/seu crispim ( ) um véi preto que tem aqui em cima...pesquei...pesquei usando com ele aqui...ele vinha...de lá de cima do oiteiro ali
L¹: oitero
Emilio: pa vim pescar de noite...que É::: o que eu estava dizendo que pescava três quatro vezes na semana com ele...é::
L¹: ( )
Emilio: nesse tempo ele...ele gostava...quando a gente saía por lá na...na...na beira da praia onde tia cachaça ele contava colocava e me dava um pouquinho eu dizia EU NUM QUERO NÃO
L¹: nunca gostou?
Emilio: nunca bebi ( )
L¹: olha ( ) que bom hein?
Emilio: mas eu bebia assim um pouquinho ...só pra( ) escapar ..( ) do frio... do frio
L¹: é:: pra esquentar( ) é:: por isso que eu falo é::
Emilio: uma vez eu vim com ele (rindo)... eu vim com ele de manhã cedo num... (gestos com a mão) quase gelado
L¹: eita
Emilio: de manhã cedo da frieza do inverno
L¹: é...e aqui venta muito
Emilio: e:: aqui era água pura desde lá da rodagem até aqui (gestos com a mão) era água pura...
L¹: brejo
Emilio: brejo puro...era água pura Itacaré aí por dentro...e ele caindo ali por dentro bêbado( ) demais...
Entrevistadora: tinha alguma cobra ( ) no brejo aí?
Emílio: cobra aqui eu ( )não encontrava não
L¹ : não encontrava não?
Emilio: não
Entrevistadora: jibóia?
Emilio: jibóia eu encontrei uma essa semana ali (apontando com a mão) já duas
L¹: foi?
Emilio: já encontrei duas dela no arrancador
L¹: olha...
Emilio: no..no..e eu com a vista ruim quase piso em cima
L²: vixi
L¹ :ela morde
Emilio: ( ) mas não tem veneno não
L¹: não..ela mo/ela não.. tem mais a:: a mordida
Emilio: se bulir ela MORDE (gesto com a mão)
L¹: ela segura que é a força né? Por causa da presa
Emilio: é...é
L¹: né?
Emilio: é..eu quase PISO
L¹: pequena?
Emilio: não...ela é ...filhote ...ela é(gesto com a mãos) acho que é essa grossura aqui dá( juntando as pontas dos dedos)
L¹: é isso mesmo
Emilio: mas filhote
L¹: filhote
Emilio: é..por que aqui..porque por aqui ...aqui eu já vi uma vez aí na beira do brejo um ENORME ..é ...cresce pra mais de...de... dez...dez...
L¹: dez metros
Emilio: dez pé não...dez palmo
L¹: dez palmo?
Emilio: é
L¹: ahh
Emilio: dois metro por aí
L¹: pensei que era 10 metro
Emilio: não
Entrevistadora: e as tarrafas o senhor..fazia ainda?
Emilio: tarrafa não
L¹: o senhor fazia tarrafa?
Emilio: não
L¹: ( )
Emilio: nunca
L¹: ( )
Emilio: nunca pedi( ) pescar de tarrafa...quem pesca de tarrafa é Zé...
L¹: Zé?
Emilio: é...mas eu não
L¹: a tarrafa ela...( )
Emilio: é...eu..eu...eu...minha pescaria é a rede
L¹: é a rede
Emilio: é...na praia
L¹: ( )
Emílio: é dois calão...só dois calão
L¹: a:: entendi
Emilio: é um calão outro no outro...sai (gestos com as mãos)... vai mirando e vai direto...quando o peixe embarga a gente vira.
L¹: vira ela pro lado de ( )
Emilio: o de..o de..o de terra...que vai por terra...que é mais...o de terra...é quem diz...”VIRA”...o de fora aí..shii (gesto fechando o braço)
L¹: ah entendi
Emilio: é...
L¹: ( )
Entrevistadora: você viu alguma coisa estranha no mar?
Emilio: não...no mar não
L¹: nunca viu peixe de duas cabeça não?
Emilio: (gargalhada)no mar...num...não
L¹: só peixes normais né?
Emilio: é
Entrevistadora: tubarão:: já viu?
Emilio: tu/tubarão cação...cação aqui antigamente nessa praia a gente via...logo quando eu cheguei aqui...da...a gente via muita com a vela aí de fora aí na...
L² :na praia?
Emilio: na maré mansa(gestos com as mãos)maré mansa...eles na onda com água por aqui assim (gestos com as mãos)eles sem o ( ) aí depois sumiu...eu acho que o bicho ficou com medo de gente né?
L¹: é:::
Emilio: per aquele tempo era pouca gente...
L¹: é
Emilio: que andava nessa praia aí...pouca gente(gestos com as mãos)
L¹: ( ) muito peixe...eles se alimentavam bem e não vinham pra cá
Emilio: é...agente morava ali ó (acenando com a mão)da barra nova...da barca...naquele meio...( ) a gente via tava saindo da praia tava eles com aquela vela no...fora d’água...tem uma velona assim (gestos com as mãos)
Entrevistadora: e havia alguma história daquele rio ali do/da tulha?
Emilio: na tulha num tem rio ( )
Entrevistadora: naquele rio ali
Emilio: ali é a mamoã
L¹: mamoã?
Emilio: é mamoã...perto do rio se chama mamoã...é
Entrevistadora: qual é a historia dali
Emilio: hein?
L¹: tem uma história...de:: pescador?
Entrevistadora: do rio ali...
Emilio: história do rio...do rio da mamoã só tem carangueijo é...
Entrevistadora: por que o nome mamoã?
Emilio: porque é o nome do...do...da barra...é o nome da barrazinha desse rio aí
L¹: mamoã
Emilio: é... nome da barra é...mamoã
Entrevistadora: e tulha? Por que o nome ponta da tulha?
Emilio: tulha... antiga... é nome antigo...ponta da tulha...PONTA DA TULHA...a ponta da tulha é as ponta daqui da praia...tem ói...de Ilhéus da barra grande...da barra aí...a::...a barra nova...é uma volta só(gestos) ela vem sempre fazendo aquela curva assim oi...(gestos) não tem ponta...agora da BARRA NOVA pra cima é ponta...ponta de/da barra nova (gestos) ponta do rolinho...chama rolinho ali onde tem um lavador...ponta do rolinho...ponta da tulha...ponta...ponta do/daqui da mamoã...ponta do ramo...e serra grande
Entrevistadora: e lá onde o senhor morava em alma...almadina não era?
Emilio: não...não morei não
Entrevistadora: morava...e o senhor era de que cidade?
Emilio: quando?
Entrevistadora: o senhor veio de uma cidade
L¹: o senhor antes de vir pra ilhéus morava aonde?
Emilio: meu torrão natal? Meu torrão natal era...Mulungú...esplanada é...
Entrevistadora: ah esplanada
Emilio: município de esplanada...viu falar não viu?
L¹: já (aceno com a cabeça)
Entrevistadora: o senhor pescava lá?
Emilio: era uma cidade bunita
L¹: onde é isso? Na Bahia?
Emilio: é na Bahia...eu morei...quando...quando sai de esplanada...eu era menino..era de doze ano treze de idade...aí meu pai levou todo mundo da família toda pa... vila do conde...pra baixa da vila do conde primeiro...trabalhemos na...praia...mangue...tudo...depois vortemo pa vila do conde
Entrevistadora: o senhor nunca ouviu essa história de rainha d’água...mãe d’água...vovô d’água?
Emilio: mãe d’água..(aceno de negação com o rosto) nunca vi história de mãe d’água não
Entrevistadora: mãe falou que rainha d’água é sereia...é verdade isso?
Emilio: não...tem a mãe d’água...chamam mãe d’água...é do rio...e a sereia é do mar
Entrevistadora: a mãe d’água é o que?
Emilio: a mãe d’água diz que é uma:: ... um negócio aí...tem a mãe d’água no rio...
Entrevistadora: contaram o que pro senhor sobre a mãe d’água?
Emilio: no rio é::: ... o que eu to contando...no rio tem...tem a mãe d’água...e tem né? O véio ...tem outro nome...
Entrevistadora: o velho d’água?
Emilio: é...o veio d’água...tem um também
L¹: é essas lendas né?
Emilio: é essas lendas...essas lendas...que eles falam
Entrevistadora: e o velho d’água? ... o senhor nunca...
Emilio: mas eu nunca vi não...pra ver mesmo não...ói dizem que essa praia aí...o povo fala que é muita é marlassombrada...eu pesquei nessa praia a noite toda nunca vi
L¹: nunca viu nada
Emilio: NÃO...agora...agora disse que tinha um...cumé...BIATATÁ
Entrevistadora: BIATATÁ?
Emilio: é ...na praia...biatatá diz que é uma visão dessas...dessas que vocês falam ...
L¹: sei
Emilio: invocando...a biatatá diz que é um fogo..eles vê..eles...sai aquele fogo...tchu:::
L¹: (risos)
Emilio: sapecava até gente
L²: era o fogo?
Emilio: é... o fogo... é
L²: na água?
Emilio: na praia..não...aqui na praia...na praia...é...aí ele diz...tenho mutcho medo da ...da biatatá...eu pesquei nessa praia tantos ano de noite com as...
L¹: a noite?
Emilio: é...com as luze..( )
L³: nunca viu rainha d’água...nem sereia...
Emilio: nunca vi
L³: nem ainha das águas
Emilio: é:: tinha dias que era a noite toda era...
L³ :mas nunca viu nenhuma sereia nem rainha das águas?
Emilio: não...não...pra mim ver não
L³: nem elas cantando? Nada
Emilio: pra mim ver não
L³: só história né?
Emilio: é
Entrevistadora: e não contaram mas nenhuma história não pra senhor?
Emilio: não
Entrevistadora: dessa praia daí
Emilio: não...essa praia é só o que eu vi mesmo
Entrevistadora: e lá no malhado? O senhor já pescou lá pelo marciano? Por lá...
Emilio: não
Entrevistadora: ponta do ramos o senhor já pescou por lá?
Emilio: é.. já..eu morava por lá perto...ponta do ramo é... ta vendo eu dizer que tem as ponta aqui.
Entrevistadora: mas não tem nenhuma história assim não?
Emilio: não
Idade: 82 anos
Cidade: Ilhéus
Escolaridade: alfabetizado
LOCUTOR 1 [ ] pra comercializar ou só para sustento?
Emílio: De rede pescava muito só pra sustento.
L¹: pra sustento
Emílio: é pra...pra
L¹: ( )
Emílio: é..é...dar comer e:: (gestos com as mãos) pronto
L¹: e pronto
Emílio: é
L¹: Aí também ( ) tratar um salgado?
Emílio: é ...é...ela fazia...ela fazia (gestos com as mãos) gamela de peixe tratado aí...
sai/secava ( )
L¹: secava é...
((ruído))
L¹: era fartura aquele tempo então
Emilio: é..é fartura
L¹: Hoje tem ( )
Emílio: Num dá não..dá só quando...no inverno
L²: no inverno pescamos demais né?
Emilio: da/é...é..bobagem
L¹: é bobagem é...
Emilio: é..
L¹: é bobagem...também a exploração...
Emílio: tinha vezes da gente pescar assim numa noite matar seis...oito curimã
L¹: olha rapaz..é?
Emílio: por fora a talinhada (algum peixe) curimã
L¹: que a curimã já é... (gestos com as mãos)
Emílio: é grande é... (gestos com a mãos)
L¹: é curimã já é grande
Emílio: é..matei curimã aí na rede de quatro quilos
L¹: quatro quilos?
Emilio: é:: (aceno com a cabeça)
L¹: eita..é a festa né?
Emilio: olha a cabeçona..
L¹: ê::
Emilio: iji! A gente tinha uma alegria quando ( ) bate na rede
L¹: faz uma zuada danada (gestos com as mãos)
Emilio: ( ) é...
L¹: sacode toda né?
Emilio: é...
L¹: a tal da curimã é perigosa né?
Emilio: é...em vez que bate três quatro dentro
L¹: ê::
Emilio: da vez que a gente cercou (leva a mão ao pescoço) sempre que dá na rede a gente supapo (gestos com as mãos) da barca
L¹: é isso mesmo
Emilio: e a gente i:: lá vai lá vai
L¹: é::
Emilio: é uma alegria rapaz (sorrindo)
L¹ : mas tomava uma na época? pra esquentar ( )
Emilio: não... cachaça não
L¹: não né
Emilio: não... nunca tomei não
((ruído))
L¹: ( )
Emilio: alia/aliás ... quando eu peguei a pescar com um vei/seu crispim ( ) um véi preto que tem aqui em cima...pesquei...pesquei usando com ele aqui...ele vinha...de lá de cima do oiteiro ali
L¹: oitero
Emilio: pa vim pescar de noite...que É::: o que eu estava dizendo que pescava três quatro vezes na semana com ele...é::
L¹: ( )
Emilio: nesse tempo ele...ele gostava...quando a gente saía por lá na...na...na beira da praia onde tia cachaça ele contava colocava e me dava um pouquinho eu dizia EU NUM QUERO NÃO
L¹: nunca gostou?
Emilio: nunca bebi ( )
L¹: olha ( ) que bom hein?
Emilio: mas eu bebia assim um pouquinho ...só pra( ) escapar ..( ) do frio... do frio
L¹: é:: pra esquentar( ) é:: por isso que eu falo é::
Emilio: uma vez eu vim com ele (rindo)... eu vim com ele de manhã cedo num... (gestos com a mão) quase gelado
L¹: eita
Emilio: de manhã cedo da frieza do inverno
L¹: é...e aqui venta muito
Emilio: e:: aqui era água pura desde lá da rodagem até aqui (gestos com a mão) era água pura...
L¹: brejo
Emilio: brejo puro...era água pura Itacaré aí por dentro...e ele caindo ali por dentro bêbado( ) demais...
Entrevistadora: tinha alguma cobra ( ) no brejo aí?
Emílio: cobra aqui eu ( )não encontrava não
L¹ : não encontrava não?
Emilio: não
Entrevistadora: jibóia?
Emilio: jibóia eu encontrei uma essa semana ali (apontando com a mão) já duas
L¹: foi?
Emilio: já encontrei duas dela no arrancador
L¹: olha...
Emilio: no..no..e eu com a vista ruim quase piso em cima
L²: vixi
L¹ :ela morde
Emilio: ( ) mas não tem veneno não
L¹: não..ela mo/ela não.. tem mais a:: a mordida
Emilio: se bulir ela MORDE (gesto com a mão)
L¹: ela segura que é a força né? Por causa da presa
Emilio: é...é
L¹: né?
Emilio: é..eu quase PISO
L¹: pequena?
Emilio: não...ela é ...filhote ...ela é(gesto com a mãos) acho que é essa grossura aqui dá( juntando as pontas dos dedos)
L¹: é isso mesmo
Emilio: mas filhote
L¹: filhote
Emilio: é..por que aqui..porque por aqui ...aqui eu já vi uma vez aí na beira do brejo um ENORME ..é ...cresce pra mais de...de... dez...dez...
L¹: dez metros
Emilio: dez pé não...dez palmo
L¹: dez palmo?
Emilio: é
L¹: ahh
Emilio: dois metro por aí
L¹: pensei que era 10 metro
Emilio: não
Entrevistadora: e as tarrafas o senhor..fazia ainda?
Emilio: tarrafa não
L¹: o senhor fazia tarrafa?
Emilio: não
L¹: ( )
Emilio: nunca
L¹: ( )
Emilio: nunca pedi( ) pescar de tarrafa...quem pesca de tarrafa é Zé...
L¹: Zé?
Emilio: é...mas eu não
L¹: a tarrafa ela...( )
Emilio: é...eu..eu...eu...minha pescaria é a rede
L¹: é a rede
Emilio: é...na praia
L¹: ( )
Emílio: é dois calão...só dois calão
L¹: a:: entendi
Emilio: é um calão outro no outro...sai (gestos com as mãos)... vai mirando e vai direto...quando o peixe embarga a gente vira.
L¹: vira ela pro lado de ( )
Emilio: o de..o de..o de terra...que vai por terra...que é mais...o de terra...é quem diz...”VIRA”...o de fora aí..shii (gesto fechando o braço)
L¹: ah entendi
Emilio: é...
L¹: ( )
Entrevistadora: você viu alguma coisa estranha no mar?
Emilio: não...no mar não
L¹: nunca viu peixe de duas cabeça não?
Emilio: (gargalhada)no mar...num...não
L¹: só peixes normais né?
Emilio: é
Entrevistadora: tubarão:: já viu?
Emilio: tu/tubarão cação...cação aqui antigamente nessa praia a gente via...logo quando eu cheguei aqui...da...a gente via muita com a vela aí de fora aí na...
L² :na praia?
Emilio: na maré mansa(gestos com as mãos)maré mansa...eles na onda com água por aqui assim (gestos com as mãos)eles sem o ( ) aí depois sumiu...eu acho que o bicho ficou com medo de gente né?
L¹: é:::
Emilio: per aquele tempo era pouca gente...
L¹: é
Emilio: que andava nessa praia aí...pouca gente(gestos com as mãos)
L¹: ( ) muito peixe...eles se alimentavam bem e não vinham pra cá
Emilio: é...agente morava ali ó (acenando com a mão)da barra nova...da barca...naquele meio...( ) a gente via tava saindo da praia tava eles com aquela vela no...fora d’água...tem uma velona assim (gestos com as mãos)
Entrevistadora: e havia alguma história daquele rio ali do/da tulha?
Emilio: na tulha num tem rio ( )
Entrevistadora: naquele rio ali
Emilio: ali é a mamoã
L¹: mamoã?
Emilio: é mamoã...perto do rio se chama mamoã...é
Entrevistadora: qual é a historia dali
Emilio: hein?
L¹: tem uma história...de:: pescador?
Entrevistadora: do rio ali...
Emilio: história do rio...do rio da mamoã só tem carangueijo é...
Entrevistadora: por que o nome mamoã?
Emilio: porque é o nome do...do...da barra...é o nome da barrazinha desse rio aí
L¹: mamoã
Emilio: é... nome da barra é...mamoã
Entrevistadora: e tulha? Por que o nome ponta da tulha?
Emilio: tulha... antiga... é nome antigo...ponta da tulha...PONTA DA TULHA...a ponta da tulha é as ponta daqui da praia...tem ói...de Ilhéus da barra grande...da barra aí...a::...a barra nova...é uma volta só(gestos) ela vem sempre fazendo aquela curva assim oi...(gestos) não tem ponta...agora da BARRA NOVA pra cima é ponta...ponta de/da barra nova (gestos) ponta do rolinho...chama rolinho ali onde tem um lavador...ponta do rolinho...ponta da tulha...ponta...ponta do/daqui da mamoã...ponta do ramo...e serra grande
Entrevistadora: e lá onde o senhor morava em alma...almadina não era?
Emilio: não...não morei não
Entrevistadora: morava...e o senhor era de que cidade?
Emilio: quando?
Entrevistadora: o senhor veio de uma cidade
L¹: o senhor antes de vir pra ilhéus morava aonde?
Emilio: meu torrão natal? Meu torrão natal era...Mulungú...esplanada é...
Entrevistadora: ah esplanada
Emilio: município de esplanada...viu falar não viu?
L¹: já (aceno com a cabeça)
Entrevistadora: o senhor pescava lá?
Emilio: era uma cidade bunita
L¹: onde é isso? Na Bahia?
Emilio: é na Bahia...eu morei...quando...quando sai de esplanada...eu era menino..era de doze ano treze de idade...aí meu pai levou todo mundo da família toda pa... vila do conde...pra baixa da vila do conde primeiro...trabalhemos na...praia...mangue...tudo...depois vortemo pa vila do conde
Entrevistadora: o senhor nunca ouviu essa história de rainha d’água...mãe d’água...vovô d’água?
Emilio: mãe d’água..(aceno de negação com o rosto) nunca vi história de mãe d’água não
Entrevistadora: mãe falou que rainha d’água é sereia...é verdade isso?
Emilio: não...tem a mãe d’água...chamam mãe d’água...é do rio...e a sereia é do mar
Entrevistadora: a mãe d’água é o que?
Emilio: a mãe d’água diz que é uma:: ... um negócio aí...tem a mãe d’água no rio...
Entrevistadora: contaram o que pro senhor sobre a mãe d’água?
Emilio: no rio é::: ... o que eu to contando...no rio tem...tem a mãe d’água...e tem né? O véio ...tem outro nome...
Entrevistadora: o velho d’água?
Emilio: é...o veio d’água...tem um também
L¹: é essas lendas né?
Emilio: é essas lendas...essas lendas...que eles falam
Entrevistadora: e o velho d’água? ... o senhor nunca...
Emilio: mas eu nunca vi não...pra ver mesmo não...ói dizem que essa praia aí...o povo fala que é muita é marlassombrada...eu pesquei nessa praia a noite toda nunca vi
L¹: nunca viu nada
Emilio: NÃO...agora...agora disse que tinha um...cumé...BIATATÁ
Entrevistadora: BIATATÁ?
Emilio: é ...na praia...biatatá diz que é uma visão dessas...dessas que vocês falam ...
L¹: sei
Emilio: invocando...a biatatá diz que é um fogo..eles vê..eles...sai aquele fogo...tchu:::
L¹: (risos)
Emilio: sapecava até gente
L²: era o fogo?
Emilio: é... o fogo... é
L²: na água?
Emilio: na praia..não...aqui na praia...na praia...é...aí ele diz...tenho mutcho medo da ...da biatatá...eu pesquei nessa praia tantos ano de noite com as...
L¹: a noite?
Emilio: é...com as luze..( )
L³: nunca viu rainha d’água...nem sereia...
Emilio: nunca vi
L³: nem ainha das águas
Emilio: é:: tinha dias que era a noite toda era...
L³ :mas nunca viu nenhuma sereia nem rainha das águas?
Emilio: não...não...pra mim ver não
L³: nem elas cantando? Nada
Emilio: pra mim ver não
L³: só história né?
Emilio: é
Entrevistadora: e não contaram mas nenhuma história não pra senhor?
Emilio: não
Entrevistadora: dessa praia daí
Emilio: não...essa praia é só o que eu vi mesmo
Entrevistadora: e lá no malhado? O senhor já pescou lá pelo marciano? Por lá...
Emilio: não
Entrevistadora: ponta do ramos o senhor já pescou por lá?
Emilio: é.. já..eu morava por lá perto...ponta do ramo é... ta vendo eu dizer que tem as ponta aqui.
Entrevistadora: mas não tem nenhuma história assim não?
Emilio: não
ENTREVISTA 4
Idade: 66 anos
Cidade: Ilhéus
Escolaridade: não alfabetizada
ENTREVISTADORA: boa tarde!
boa tarde
ENT:Qual o seu nome?
Idenice
ENT:Quantos anos a senhora tem?
setenta e seis:::
ENT: A senhora já ouviu falar dona Idenice do Boi tatá, do nego d’água?
não!? (sentido de afirmação) o nego d’água eu via o povo falar que via um vurtu em cima da pedra e dizia que era ele... NE..oh então vovô d’água...acho que era o mermo cidaDÂO...e...uma sinhora que:: sempre reclamava com a neta...ai dizia(risos) pra ela..passa pra cá minina...você não tem silanCREA ((vergonha))? Outra hora dizia você não tem cirbunanCELO? ((toma vergonha))
Idade: 66 anos
Cidade: Ilhéus
Escolaridade: não alfabetizada
ENTREVISTADORA: boa tarde!
boa tarde
ENT:Qual o seu nome?
Idenice
ENT:Quantos anos a senhora tem?
setenta e seis:::
ENT: A senhora já ouviu falar dona Idenice do Boi tatá, do nego d’água?
não!? (sentido de afirmação) o nego d’água eu via o povo falar que via um vurtu em cima da pedra e dizia que era ele... NE..oh então vovô d’água...acho que era o mermo cidaDÂO...e...uma sinhora que:: sempre reclamava com a neta...ai dizia(risos) pra ela..passa pra cá minina...você não tem silanCREA ((vergonha))? Outra hora dizia você não tem cirbunanCELO? ((toma vergonha))